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10/04/2017

Como estes sorvetes adoráveis querem desafiar as marcas italianas

Por Marília Almeida - Exame.Com 7 abr 2017, 05h00 - Atualizado em 7 abr 2017, 16h52


Sorvetes da Snowfall tem textura de flocos de gelo, mas não é uma raspadinha (./Divulgação)

São Paulo – Foi necessária uma boa dose de ousadia para que o advogado Ronaldo Kim, 27 anos, resolvesse lançar um produto totalmente novo no país — o sorvete coreano bingsu — ao lado de renomadas marcas italianas do segmento.

A primeira loja da sorveteria SnowFall foi instalada na conhecida rua de comércio de luxo de São Paulo, a Oscar Freire, ao lado de gelaterias como a Baccio di Latte e Le Botteghe di Leonardo, além da londrina Dri Dri e da americana Ben & Jerry´s.

“Muita gente me disse que era loucura”, conta o empreendedor. “Mas a ideia era montar uma loja conceito e apresentar um case: se o negócio conseguisse sobreviver ali, atrairia atenção rapidamente”.

O caminho, naturalmente, não foi fácil, admite Kim. “Em um ano e meio de operação tivemos de cair e levantar, tomar uma surra da concorrência e levantar de novo”.

Kim não tinha capital suficiente para abrir uma loja na rua. Acreditando na ideia, seu sócio André Park, 27 anos e especialista em tecnologia e inovação, ajudou a complementar o valor restante.

Inaugurada a loja, o empreendedor teve de quebrar barreiras culturais para fazer o produto deslanchar. “Apesar de os primeiros meses terem gerado bons resultados, muita gente já conhecia as outras marcas e relutavam em experimentar o nosso produto”.

Kim começou a perceber que uma das razões para isso é que muitas pessoas achavam que o sorvete era uma raspadinha. “Precisei investir muito em marketing para mostrar que o produto não era gelo com sabor, mas todos os ingredientes eram batidos juntos na máquina para formar os flocos parecidos com neve. Ele é cremoso, apesar de ser mais leve e refrescante do que o tradicional”. Saiba mais: Na Cinépolis agora o filme é outro: vender sorvete 

Um diferencial foi criar diferentes tipos de coberturas com a mesma base de leite. “Investi muito em marketing para explorar o conceito de neve, um fator sensorial do sorvete, que dissolve na boca”.

Além do carro chefe, o “Snow Cream”, a marca foi ampliando o cardápio com outras sobremesas que levam o sorvete, como macarons e tortas, além de opções quentes, como “carolinas” e bolos. Além do clássico red velvet, um dos itens é feito de um chá tradicional coreano.


Inauguração da SnowFall no Bom Retiro (./Divulgação)

Abertura de franquias

Quando a operação foi se consolidando e Kim não encontrou investidores para alavancar o negócio e conseguir ampliar a linha de produtos, resolveu apostar no modelo de franquia. “Muitos clientes nos perguntavam se iriamos abrir franquias da loja. Resolvemos apostar”.

A primeira foi inaugurada em outubro na Liberdade, tradicional bairro da colônia asiática na cidade. “Foi um estouro”. Em fevereiro, foi aberta a segunda franquia da marca, em outro bairro também reconhecido por abrigar asiáticos, o Bom Retiro.

As franquias são vendidas na modalidade quiosque, cujo investimento inicial exigido é de 150 mil reais, e no modelo de loja, que exige investimento inicial de 250 mil reais. A Snowfall cobra royalties de 2,5 mil reais no primeiro ano, que atingem o teto de 4 mil reais no quarto ano de operação. A expectativa de retorno do investimento é de 24 meses.


Máquina de fazer neve da SnowFall (./Divulgação)

Pesquisa internacional

Kim conta que foi incentivado pelos pais, comerciantes que migraram da Coréia, a seguir uma carreira tradicional, mas que sempre teve um pé no empreendedorismo. “A vida de escritório não era para mim. Sou hiperativo. Precisava de algo mais dinâmico.”

Cansado da rotina, Kim resolveu pegar metade das suas economias e viajar o mundo por três meses em busca de um produto inovador. Logo no primeiro destino, na terra natal de seus pais, encontrou o bingsu em uma cafeteria. “Parecia que eu estava comendo neve. Se agradou o meu paladar (Kim nasceu no Brasil), achei que iria agradar o paladar de outros brasileiros também.”

Após a descoberta, Kim acabou utilizando o restante do tempo programado para a viagem para pesquisar a aceitação do produto em outros países, principalmente nos Estados Unidos, que já vendia algo similar.


Snow Cream (./Divulgação)

O conceito de “sorvete de neve” foi o modo que Kim encontrou de atrair clientes no Brasil para o produto asiático. “Como o bingsu ainda não era vendido na América do Sul, achei que a associação chamaria a atenção e criaria algo lúdico em um país tropical. ”

Ainda assim, Kim teve de adaptar um pouco os ingredientes para agradar. Enquanto o sorvete original asiático era pouco doce, o similar americano continha muito açúcar. “Tive de encontrar um meio termo”.

O ambiente da loja, que tem até uma máquina de “fazer neve” foi inspirado na atmosfera das sorveterias americanas.

Fonte: Exame.Com

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